29 Dezembro 2010
Nota zero para tucanos, demos e aliados
O fato é que todos já sabem onde acontecerão as inundações, os córregos que transbordarão, os pontos de estrangulamento que param o trânsito, as áreas de risco que desabarão. Como já sabem, a repetição dessa catástrofe é a prova cabal da incompetência das seguidas administrações tucanas.
Particularmente, das duas últimas que transformaram a cidade num condomínio do PSDB-DEM, tendo como síndicos os parceiros José Serra/Gilberto Kassab. O tucano José Serra que se elegeu prefeito por quatro anos, mas como tem o hábito de não cumprir nenhum mandato, renunciou um ano e quatro meses depois; o prefeito Kassab, ainda filiado ao DEM, mas de malas prontas para deixá-lo e que governa mais como tucano do que como demo.
Falta planejamento, investimento, vontade e decisão política
O drama trazido com as chuvas é a prova cabal, também, da total falta de planejamento urbano e de uma política de investimentos para enfrentar a questão. Aliás, não há o que se espantar, estas são marcas comuns de governos demo-tucanos. Sem falar na ausência total de uma política metropolitana. Não a tem, vejam vocês, nem para a maior região urbana do país, a Grande são Paulo.
Mas, a pergunta que não cala é: onde anda a oposição para cobrar e propor alternativas não apenas aos tucanos, prefeito e governador, mas à mídia?
Tão vigilante, cobradora, parcial quando se trata do governo federal e de governos estaduais e municipais do PT em geral, a oposição e, especialmente, a mídia passaram todos esses anos escondendo da sociedade os descalabros das administrações tucanas. Ou têm rabo preso ou compactuam com elas, ou então, no caso da imprensa defende as políticas demotucanas, por estas atenderem seus interesses corporativos, empresariais e econômicos.
Afinal, se não tomam providências efetivas que acabem, ou sequer minimizem os problemas trazidos pelas enchentes, as administrações demotucanas da dupla José Serra/Kassab tem um ponto em comum que não desagrada a mídia: cortam as obras para contenção de enchentes e dobram, ano a ano, o dinheiro gasto em propaganda de seus governos.
- Patrulha Ideológica -
Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).
Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.
Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.
Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.
Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.
Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.
Por João Humberto Venturini
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