21 Fevereiro 2011

Eleições 2012 - PT já discute eleição de 2012 em São Paulo



 
Tem todo o meu apoio a decisão tomada pelo diretório estadual paulista do PT, de começar a discutir já a eleição municipal de 2012, para que o partido chegue ao final deste ano com o candidato - ou pré-candidatos - já definido a prefeito de São Paulo, a mais importante eleição do ano que vem no país.

Ao contrário de boa parte das legendas, principalmente do campo adversário, pré-candidatos fortes é o que não faltam no PT, se considerarmos que podemos chegar ao final do ano com um definido, ou pelo menos com o processo afunilado para os nomes da senadora Marta Suplicy (PT-SP) e dos ministros Aloisio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Fernando Haddad (Educação), Alexandre Padilha (Saúde) e José Eduardo Martins Cadozo (Justiça).

Está mais do que na hora de precipitar mesmo esse debate, até porque a oposição e outros partidos já estão se preparando e já tem seus candidatos prontos para o pré-lançamento - o deputado Gabriel Chalita, pelo PSB; o prefeito Gilberto Kassab (ainda DEM-PSDB) com seu candidato, o vice-governador e secretário estadual Guilherme Afif Domingos (DEM); o governador tucano Geraldo Alckmin (PSDB), se conseguir fazer José Serra disputar a prefeitura ou, eventualmente, fechar um apoio tucano ao deputado Chalita; e o presdiente da FIESP, Paulo Skaf, que pode vir a disputar pelo PMDB.

Além das articulações em torno destes nomes, a oposição trabalha celeremente rumo a esta eleição e trata dela, também, com estas suas propostas de criação de um novo partido pelo prefeito Kassab e da janela da infidelidade (na reforma política).

Tudo para possibilitar a saída dos dissidentes do PSDB e do DEM detentores de mandato, para que não os percam, além de encontrar uma alternativa para sua linha auxiliar, o PPS. Assim o PT e suas lideranças precisam começar a discutir e a articular 2012 já.

Um artigo assinado pela presidenta Dilma Rousseff

A propósito de estarmos falando sobre o PT, eu gostaria muito que vocês lessem "País do conhecimento, potência ambiental" que nossa Presidenta da República, Dima Rousseff escreveu hoje na Folha de S.Paulo.

É um texto em que ela diz que hoje já não parece uma meta tão distante o país se tornar economicamente rico e socialmente justo, mas no qual, ao mesmo tempo lança um aviso pertinente: "há grandes desafios pela frente, como educação de qualidade". Não deixem de ler.

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- Patrulha Ideológica -

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.

Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.