13 Junho 2011

Agora de Todos - Mais da metade dos jovens sonham em se formar e ter um emprego, aponta pesquisa

O grande sonho individual do jovem brasileiro é ter uma boa formação profissional e um emprego, seguido pelo desejo de ter a casa própria e dinheiro. Foi o que apontou a pesquisa O Sonho Brasileiro, que procurou mapear o que querem os mais de 26 milhões de jovens de 18 a 24 anos que vivem no país.
“Existem alguns sonhos, mas a gente vê que existe uma vontade de ter um sonho comum para a nação, um sonho positivo onde se projeta o futuro do Brasil. Mas existem os sonhos declarados. A gente fez a pergunta: 'Qual o seu maior sonho?' e viu que, no nível mais individual, o grande sonho está ligado à formação e ao estudo, em estudar para ser alguém”, explicou Carla Mayumi Albertuni, pesquisadora e sócia da Box1824, empresa responsável pelo estudo e que faz mapeamento de tendências de comportamento na sociedade.

Na resposta sobre o sonho de cada um, o resultado foi que 55% das respostas eram relacionadas à formação profissional e ao emprego, 15% ao desejo da casa própria e 9% à família. Já entre os sonhos coletivos, para 31% dos jovens os sonhos estão relacionados à reparação de situações como a violência e a corrupção. Eles se preocupam com os índices negativos do país com relação à violência (18% das respostas) e corrupção (13%).

Outra parte desses jovens (28%) tem sonhos de realização, ou seja, espera que o Brasil melhore nas questões envolvendo emprego (10%), igualdade social (10%) e educação (8%) e que dê fim à miséria (8%).
O jovem hoje também está mais orgulhoso de ser brasileiro. Cerca de 89% dos entrevistados afirmaram ter mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro e 75% disseram que o Brasil está mudando para melhor. Essa visão mais positiva com relação ao país, segundo a pesquisadora, é também consequência da maior estabilidade econômica atravessada pelo país nos últimos anos.

“É um jovem que já não se preocupa com inflação e com grandes questões econômicas. O que está mais preocupando ele atualmente é a política, mas economicamente ele já nasceu num país que está acontecendo”, disse Carla.

O estudo também apontou que 92% dos jovens acreditam que suas ações podem mudar a sociedade, mas apontou uma descrença na política institucionalizada. Segundo a pesquisa, 59% dos jovens afirmaram não ter nenhum partido político de preferência e 83% deles acreditam que a concentração de poder nas mãos de poucas pessoas é causadora dos problemas mais graves do país.

“O que vemos é uma descrença na política institucionalizada e o começo de um sentimento de que as coisas podem acontecer a partir das próprias pessoas e de que não se precisa esperar que as coisas caiam do céu”, afirmou a pesquisadora.

A pesquisa foi feita em duas etapas. A primeira foi qualitativa, com 1,2 mil abordagens a jovens das classes A, B e C, entre 18 e 24 anos, das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. A segunda etapa foi quantitativa e pegou uma amostra representativa de toda a população jovem brasileira dessa faixa etária. Nessa fase, foram entrevistados 1.784 jovens, de todas as classes sociais, em 173 cidades de 23 estados brasileiros.

Por Elaine Patricia Cruz

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- Patrulha Ideológica -

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.

Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.